Calculadora de Férias

Simule quanto vai cair na conta antes de descansar.

A venda de férias é isenta de IR e INSS.

Entenda o Cálculo de Férias

Todo trabalhador CLT tem direito a 30 dias de férias após 12 meses de trabalho (período aquisitivo completo), conforme o artigo 130 da Consolidação das Leis do Trabalho. O pagamento da remuneração das férias e do terço constitucional deve ser feito até 2 dias antes do início do descanso (art. 145 CLT). Não cumprir esse prazo gera o direito ao pagamento em dobro da remuneração, conforme a Súmula 81 do Tribunal Superior do Trabalho.

Como se calcula o período aquisitivo

O período aquisitivo é o ciclo de 12 meses que o empregado cumpre para adquirir o direito a 30 dias de férias. Começa na data de admissão e termina um ano depois. Contam-se faltas injustificadas para reduzir o período concedido:

Afastamentos por INSS (doença ou acidente) por até 6 meses, licença-maternidade, paternidade e outras hipóteses legais não contam como falta e não reduzem o período.

O que é o 1/3 Constitucional?

O chamado "terço constitucional" está previsto no artigo 7º, inciso XVII da Constituição Federal de 1988 e garante que o empregado receba seu salário normal acrescido de um terço (33,33%) extra no momento das férias. O objetivo é dar ao trabalhador uma renda maior justamente no período em que ele terá despesas adicionais com lazer, viagens e descanso. Exemplo: salário de R$ 3.000 → remuneração das férias = R$ 3.000 + R$ 1.000 (1/3) = R$ 4.000 brutos. Sobre esse valor incidem INSS e IRRF normalmente.

Vender Férias (Abono Pecuniário)

O artigo 143 da CLT permite ao trabalhador converter até 1/3 dos dias de férias em dinheiro — no caso de 30 dias, o máximo é vender 10 dias. O pedido deve ser feito pelo empregado até 15 dias antes do fim do período aquisitivo, e depende de manifestação do empregador. A grande vantagem financeira é que sobre o valor do abono pecuniário não incide INSS nem Imposto de Renda (art. 7º, XVII da CF/88 interpretado pelo STF no RE 611.505). Isso aumenta o ganho líquido comparado ao salário normal do mesmo período.

Fracionamento em 3 períodos (Lei 13.467/2017)

A Reforma Trabalhista trouxe flexibilidade ao art. 134 §1º da CLT: as férias podem ser fracionadas em até 3 períodos, desde que um deles tenha ao menos 14 dias corridos e os outros dois pelo menos 5 dias corridos cada. O fracionamento exige concordância do trabalhador e, idealmente, registro por escrito. Não é permitido iniciar férias a menos de 2 dias de feriado ou do descanso semanal remunerado. Empregados menores de 18 anos e maiores de 50 anos não podem ter férias fracionadas — devem tirar 30 dias de uma só vez (art. 134 §2º CLT).

Férias em dobro

Quando o empregador não concede as férias dentro do período concessivo (os 12 meses seguintes ao término do período aquisitivo), o empregado passa a ter direito à remuneração em dobro — ou seja, além do salário e do terço, recebe novamente o equivalente, como penalidade pela demora (art. 137 CLT). Na rescisão, férias vencidas há mais de 12 meses sem serem gozadas e sem terem sido indenizadas também viram verba em dobro.

Salário variável e base de cálculo

Se a remuneração é composta por parte fixa e variável (comissões, horas extras habituais, gratificações), a base de cálculo das férias é a soma da parte fixa com a média dos últimos 12 meses da parte variável, corrigida pelo índice da categoria. Horas extras habituais integram a base conforme a Súmula 45 do TST. DSR sobre comissões também entra. Vale-transporte, vale-refeição e reembolsos não fazem parte da remuneração e não entram na base de cálculo das férias.

Tributação detalhada: INSS e IRRF sobre as férias

Sobre a remuneração das férias (salário + 1/3 constitucional) incidem os mesmos tributos do salário mensal: INSS em alíquota progressiva (7,5% a 14% em 2026, com faixas limitadas ao teto de R$ 7.786,02) e IRRF com alíquotas de 0% a 27,5%, conforme a base reduzida pelo INSS e pelas deduções (dependentes, pensão alimentícia). Isso significa que o empregado não recebe R$ 4.000 líquidos no exemplo anterior — o valor líquido costuma ficar entre R$ 3.250 e R$ 3.400, dependendo das deduções.

Já o abono pecuniário (venda de até 10 dias) é pago sem incidência de INSS e sem IRRF, o que o torna mais vantajoso em termos líquidos do que permanecer trabalhando no mesmo período, especialmente para faixas salariais mais altas sujeitas a IR de 22,5% ou 27,5%. Exemplo: para um salário de R$ 5.000, 10 dias vendidos equivalem a aproximadamente R$ 1.667 + R$ 555 (1/3) = R$ 2.222 — integralmente líquidos.

Exemplos numéricos por faixa salarial

Para ilustrar o impacto dos descontos, veja três cenários com salário mensal distinto, sem dependentes e sem outras deduções, com férias de 30 dias gozadas integralmente (sem venda):

Agora o mesmo empregado do segundo cenário, optando por vender 10 dias (abono pecuniário): 20 dias gozados + 10 dias vendidos. Férias gozadas: R$ 4.444 brutos (20 dias + 1/3) com INSS e IRRF. Abono pecuniário: R$ 2.222 (10 dias + 1/3) sem tributação. O líquido total sobe de R$ 5.543 (se tirasse 30 dias) para cerca de R$ 6.100 — ganho líquido de R$ 557 pela escolha da venda.

Regras especiais por categoria

Algumas categorias têm regras específicas de férias previstas em leis especiais ou convenções coletivas:

Perguntas Frequentes

Como calcular o valor das férias em 2026?

O valor bruto das férias é o salário do período mais 1/3 constitucional (33,33% extra). Para 30 dias com salário de R$ 3.000, o bruto é R$ 4.000 (R$ 3.000 + R$ 1.000 do terço). Sobre esse valor incidem INSS (progressivo, 7,5% a 14%) e IRRF, resultando no líquido a receber. Nossa calculadora aplica automaticamente as tabelas oficiais.

O que é abono pecuniário (venda de férias)?

É a conversão de até 1/3 das férias em dinheiro — no caso de 30 dias, o máximo permitido é vender 10 dias. O trabalhador recebe o valor desses dias como remuneração extra. Sobre o valor do abono pecuniário não incidem INSS nem IRRF, conforme o artigo 7º, XVII da Constituição Federal e o artigo 143 da CLT.

Quando o pagamento das férias deve ser feito?

O pagamento das férias deve ser feito até 2 dias antes do início do período de descanso, conforme o artigo 145 da CLT. O descumprimento desse prazo gera direito ao pagamento em dobro, segundo a Súmula 81 do TST.

Posso parcelar as férias em 3 períodos?

Sim. Desde a Reforma Trabalhista de 2017 (Lei 13.467/2017), as férias podem ser fracionadas em até 3 períodos, desde que um deles tenha ao menos 14 dias corridos e os outros 2 tenham no mínimo 5 dias corridos cada. O parcelamento exige concordância do trabalhador e registro em acordo.

Tenho direito a férias proporcionais se pedir demissão?

Sim. Mesmo em caso de pedido de demissão ou término de contrato, o trabalhador tem direito a férias proporcionais (1/12 do salário acrescido de 1/3 por mês trabalhado no período aquisitivo incompleto). Essas férias são pagas na rescisão. Em caso de justa causa, porém, o direito às proporcionais é perdido, mantendo-se apenas as vencidas.

Como calcular férias com salário variável (comissões ou horas extras)?

Quando o salário inclui partes variáveis (comissões, gratificações, horas extras habituais), a base de cálculo das férias é a média dos últimos 12 meses, somada à parte fixa. Horas extras habituais integram o cálculo conforme a Súmula 45 do TST. A calculadora considera o salário fixo informado — para cálculos com variáveis, consulte um contador.

warning Disclaimer: Este conteúdo é educativo e não substitui orientação contábil ou jurídica profissional. As regras da CLT podem ser alteradas por lei ou interpretadas por jurisprudência — verifique sempre a situação específica do seu contrato.

Base legal: Consolidação das Leis do Trabalho — CLT (Decreto-Lei 5.452/1943), artigos 129 a 153; Constituição Federal (artigo 7º, XVII); Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista); Súmulas 45, 81 e 328 do TST. Fonte: Tribunal Superior do Trabalho (tst.jus.br).